Conheça histórias de superação de famílias da Favela do Moinho que conquistaram moradia digna
As histórias dos antigos moradores que hoje estão reassentados em unidades habitacionais do CDHU são marcadas pela resiliência e superação, como a do autônomo Ângelo da Silva, de 27 anos, que mudou para a Favela do Moinho aos 8 anos, com a mãe, e teve a infância marcada pela precariedade e insegurança.
“Quando eu era pequeno, passamos por quatro incêndios. Minha mãe perdeu tudo, e a gente chegou a morar embaixo da ponte. Ela conseguiu tudo de novo, por meio de doação, e construiu um barraco”, relatou.
Ângelo se casou e construiu família no local, passando a viver em um barraco de madeira com chão batido com a mulher e os filhos gêmeos, e além do medo de incêndio, convivia com o alagamento m dias de chuva, e com a presença de animais peçonhentos. “Era muita água entrando dentro do nosso barraco. Tinha escorpião em cima da cama, no sofá e até mesmo no banheiro, e outros bichos também”, disse. Para ele, a nova casa é uma oportunidade de recomeço para sua família. “Vai ter mais segurança para meus filhos”, comemorou.
Marcos Daniel Oliveira, 22 anos, também mora desde criança na favela e teve sua infância marcada por fatalidades, assim como muitas outras famílias. “Eu passei por muitos incêndios. O primeiro foi o do prédio. Minha avó e meu avô perderam tudo e tivemos que morar debaixo da ponte. Depois, mudamos para a Favela do Gato, que também pegou fogo. Voltamos para debaixo da ponte de novo, até que eles reabriram o terreno que estava fechado por causa do incêndio. Construíram casas e cederam uma para a minha mãe, mas ela conseguiu sair e deixou a casa para nós. Só que precisamos ir para o aluguel porque o barraco estava caindo”, conta.
Casado e pai de uma menina de quase dois anos, o entregador conseguiu deixar para trás o barraco onde pagava R$ 700 de aluguel por uma das unidades oferecidas pela CDHU. “Mudar para cá foi uma mudança de vida para mim, para minha filha e para minha esposa. É um local bom. Por aqui também tem muita creche perto, escola, mercado tem muita coisa perto. O bairro é bom, tem tudo próximo”, disse Marcos.
moradora da Favela do Moinho por 22 anos, Eunice Barbosa do Santos, 81 anos, descreveu a expectativa que sentia pouco antes de deixar sua antiga casa para sempre. “Pensava que, quando eu me mudar, minha vida mudaria completamente. Não vou sentir saudade. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa”, disse.
Não foram poucos os desafios enfrentados por dona Eunice, como é conhecida, nas duas décadas que conviveu na comunidade. “Quando eu deixava a comida aqui, o rato vinha e comia. Aí eu tinha que jogar tudo fora. Então, agradeço todo dia a Deus e a vocês, da CDHU”, contou, emocionada. Na favela, Dona Eunice passou por dois incêndios e perdeu o filho, Jhony, que faleceu e deixou seis filhos, um deles morando hoje com ela. “Para mim, tudo mudou para melhor, inclusive a educação do meu neto, sabe? Quem mora dentro da comunidade não tem muito futuro, estudo e sabedoria”, afirmou.
O controlador de estacionamento Francisco Pereira de Araújo, 50 anos, mudou da Favela do Moinho para um apartamento no Brás, após 10 anos na comunidade. “Fui para o Moinho porque era a opção mais barata, porque a gente compra e depois não paga mais nada”, explica. A moradia em que Francisco viveu nesse período, porém, era precária e oferecia diversos riscos à saúde, assim como outras dezenas construídas da mesma maneira. O barraco de dois pavimentos tinha a estrutura comprometida e não possuía nenhuma abertura para circulação de ar, o que tornava o ambiente mais propício à proliferação de doenças. “A sensação é outra, né? Vou estar em um lugar mais seguro, não é um barraco na favela, que pode pegar fogo, como outros pegaram por causa de gambiarra, né? Eu estou feliz, é uma bênção”, relata.
Dignidade
Em abril de 2025, o Estado iniciou uma das ações sociais mais relevantes dos últimos anos: o reassentamento das famílias que vivem no local. A iniciativa marca o resgate da dignidade de cerca de 850 famílias que, por décadas, viveram expostas a riscos constantes, desde condições sanitárias precárias, doenças infecciosas e a presença de animais peçonhentos, até o permanente perigo de incêndios, confinadas entre duas linhas de trem e sob a influência do crime organizado. Após um ano, a desocupação da Favela do Moinho completa 95% de desocupação.
O antigo núcleo da comunidade dará lugar a um parque público linear, com áreas verdes e equipamentos de lazer, e a uma estação ferroviária.
Fonte/Imagens: Agência SP
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