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Conheça histórias de superação de famílias da Favela do Moinho que conquistaram moradia digna

Mais de 850 famílias já foram realocadas do Moinho para moradias mais dignas  
Foto: Divulgação; Governo de SP

O projeto de requalificação da Favela do Moinho, no centro da capital, liderado pelo Governo de São Paulo, completa um ano possibilitando às famílias que residiam no local a oportunidade de trocar a insegurança e vulnerabilidade social por moradias dignas.

As histórias dos antigos moradores que hoje estão reassentados em unidades habitacionais do CDHU são marcadas pela resiliência e superação, como a do autônomo Ângelo da Silva, de 27 anos, que mudou para a Favela do Moinho aos 8 anos, com a mãe, e teve a infância marcada pela precariedade e insegurança.  

“Quando eu era pequeno, passamos por quatro incêndios. Minha mãe perdeu tudo, e a gente chegou a morar embaixo da ponte. Ela conseguiu tudo de novo, por meio de doação, e construiu um barraco”, relatou.

Ângelo se casou e construiu família no local, passando a viver em um barraco de madeira com chão batido com a mulher e os filhos gêmeos, e além do medo de incêndio, convivia com o alagamento m dias de chuva, e com a presença de animais peçonhentos. “Era muita água entrando dentro do nosso barraco. Tinha escorpião em cima da cama, no sofá e até mesmo no banheiro, e outros bichos também”, disse. Para ele, a nova casa é uma oportunidade de recomeço para sua família. “Vai ter mais segurança para meus filhos”, comemorou.

Marcos Daniel Oliveira, 22 anos, também mora desde criança na favela e teve sua infância marcada por fatalidades, assim como muitas outras famílias.  “Eu passei por muitos incêndios. O primeiro foi o do prédio. Minha avó e meu avô perderam tudo e tivemos que morar debaixo da ponte. Depois, mudamos para a Favela do Gato, que também pegou fogo. Voltamos para debaixo da ponte de novo, até que eles reabriram o terreno que estava fechado por causa do incêndio. Construíram casas e cederam uma para a minha mãe, mas ela conseguiu sair e deixou a casa para nós. Só que precisamos ir para o aluguel porque o barraco estava caindo”, conta.

Casado e pai de uma menina de quase dois anos, o entregador conseguiu deixar para trás o barraco onde pagava R$ 700 de aluguel por uma das unidades oferecidas pela CDHU. “Mudar para cá foi uma mudança de vida para mim, para minha filha e para minha esposa. É um local bom. Por aqui também tem muita creche perto, escola, mercado tem muita coisa perto. O bairro é bom, tem tudo próximo”, disse Marcos.

moradora da Favela do Moinho por 22 anos, Eunice Barbosa do Santos, 81 anos, descreveu a expectativa que sentia pouco antes de deixar sua antiga casa para sempre. “Pensava que, quando eu me mudar, minha vida mudaria completamente. Não vou sentir saudade. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa”, disse.

Não foram poucos os desafios enfrentados por dona Eunice, como é conhecida, nas duas décadas que conviveu na comunidade. “Quando eu deixava a comida aqui, o rato vinha e comia. Aí eu tinha que jogar tudo fora. Então, agradeço todo dia a Deus e a vocês, da CDHU”, contou, emocionada. Na favela, Dona Eunice passou por dois incêndios e perdeu o filho, Jhony, que faleceu e deixou seis filhos, um deles morando hoje com ela. “Para mim, tudo mudou para melhor, inclusive a educação do meu neto, sabe? Quem mora dentro da comunidade não tem muito futuro, estudo e sabedoria”, afirmou.

                                                                                       Dona Eunice viveu por 22 anos na Favela do Moinho

O controlador de estacionamento Francisco Pereira de Araújo, 50 anos, mudou da Favela do Moinho para um apartamento no Brás, após 10 anos na comunidade. “Fui para o Moinho porque era a opção mais barata, porque a gente compra e depois não paga mais nada”, explica. A moradia em que Francisco viveu nesse período, porém, era precária e oferecia diversos riscos à saúde, assim como outras dezenas construídas da mesma maneira. O barraco de dois pavimentos tinha a estrutura comprometida e não possuía nenhuma abertura para circulação de ar, o que tornava o ambiente mais propício à proliferação de doenças.  “A sensação é outra, né? Vou estar em um lugar mais seguro, não é um barraco na favela, que pode pegar fogo, como outros pegaram por causa de gambiarra, né? Eu estou feliz, é uma bênção”, relata.

A auxiliar de limpeza Francisca Antônia de Lima, de 41 anos, também percorreu um longo caminho com as duas filhas, Ayila, de 6 anos, e Maria, de 11, até deixar a favela do Moinho, e também passou por momentos difíceis morando no local, mas agora prefere focar na casa nova. Ela foi uma das cinco primeiras famílias a serem retiradas do local, no ano passado, e optou por moradia definitiva  na Cidade Líder, na zona leste. 
Seu novo apartamento tem quatro cômodos, distribuídos em dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. “Eu gostei muito do bairro. Vi que tem padaria, lanchonete, cabeleireiro, farmácia, muitos comércios variados. Estou muito satisfeita com a minha escolha. Eu não tenho palavras”, avalia Francisca. É uma satisfação porque sei que essa benção é para as minhas filhas. Eu estou muito feliz”, disse.

Dignidade

Em abril de 2025, o Estado iniciou uma das ações sociais mais relevantes dos últimos anos: o reassentamento das famílias que vivem no local. A iniciativa marca o resgate da dignidade de cerca de 850 famílias que, por décadas, viveram expostas a riscos constantes, desde condições sanitárias precárias, doenças infecciosas e a presença de animais peçonhentos, até o permanente perigo de incêndios, confinadas entre duas linhas de trem e sob a influência do crime organizado.  Após um ano, a desocupação da Favela do Moinho completa 95% de desocupação.

O antigo núcleo da comunidade dará lugar a um parque público linear, com áreas verdes e equipamentos de lazer, e a uma estação ferroviária.

 

Fonte/Imagens: Agência SP



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