Fundo Social de Solidariedade Ilha Comprida: recurso estratégico para enfrentar crises e promover cidadania
Além de viabilizar projetos e ações emergenciais, o Fundo Social também fortalece políticas públicas de longo prazo, contribuindo para a redução das desigualdades sociais e o enfrentamento da pobreza. Em momentos de crise, como desastres naturais ou dificuldades econômicas, sua atuação se torna ainda mais relevante, garantindo respostas rápidas e eficazes às necessidades da população.
Dessa forma, investir e fortalecer o Fundo Social é investir diretamente no bem-estar coletivo e no desenvolvimento sustentável dos municípios, tornando a gestão pública mais eficiente e sensível às reais necessidades da sociedade.
CONECTADOSBR: Anita Saraiva, quando foi o início do
seu trabalho como Presidente do Fundo Social de Ilha Comprida e quais foram as
primeiras demandas de trabalho?
Anita Saraiva: Eu comecei o meu trabalho no Fundo Social no dia 24 de junho de 2025 e já iniciando
os trabalho com a Campanha de Inverno, ainda não tendo uma arrecadação efetiva
de cobertores para atender a população como deveria, então essa foi a minha
primeira estratégia quando assumi aqui, foi a Campanha para atender a população
com cobertores e roupas, tendo a participação dos servidores com doações, para
uma ação mais rápida, aquecemos várias família que necessitavam do atendimento
naquele momento. No total foram
arrecadados 500 cobertores e várias peças de roupas com os servidores, e
mais 150 que foram enviados pelo governo do estado, ou seja, um total de 650
cobertores arrecadados.
CONECTADOSBR: Que parcela da população foi
atendida naquele primeiro momento?
Anita Saraiva: Pessoas em vulnerabilidade
social, vivendo em situação de rua, inclusive na época fizemos
um encaminhamento de uma mulher para uma clínica, foi um pedido direto dela,
mas infelizmente a internação foi interrompida a pedido dela e acabamos indo
busca-la pois se trata de uma pessoa que tem sua vida aqui em nossa cidade e na
cidade de Iguape. Foram atendidas também várias famílias já cadastradas e
encaminhadas pela assistência social, família que são atendidas por programas sociais
do governo federal.
CONECTADOSBR: Quais outas campanhas
são feitas no decorrer do ano?
Anita Saraiva: Nós temos ações
que são desenvolvidas ao longo do ano, inclusive em parceria com entidades e
eventos que acontecem na cidade, tanto de cunho privado como do poder público,
onde é colocada a condicionalidade da inscrição ou entrada ao evento a doação
de um quilo de alimento, então nós temos essas parcerias também. Quanto a
doação de roupas nós recebemos diariamente as doações e é feito uma triagem
para poder disponibilizar sempre roupas em total condição de uso.
Vale destacar que todos os dias recebemos pessoas necessitando e elas têm a liberdade de escolherem quantas peças quiserem. Antes havia um limite de apenas dez peças por pessoa, mas se fizermos assim, em poucos dias não teremos mais lugar para armazenar tantas doações que são recebidas aqui no Fundo Social.
CONECTADOSBR: Anita, nós
recebemos alguns comentários de pessoas dizendo que tentou fazer uma doação,
mas não conseguiu. Por que acaba acontecendo essa situação?
Anita Saraiva: Deixa eu
explicar, eu tive no final do ano passado um situação bem difícil que aconteceu
aqui na frente com algumas pessoas em situação de rua, eles brigaram aqui na
frente e acabou tendo a necessidade de se chamar o policiamento, foi bem
problemático. Então de dezembro até metade de fevereiro eu parei de receber as
doações. Por que? Porque eu tirei naquele momento as doações dali para que parece esse fluxo dali, pois é uma época em que a cidade recebe um número maior
de pessoas em vulnerabilidade social e acaba acontecendo essas situações. Então
até mesmo para segurança das pessoas que participam das oficinas aqui, foi o
único momento que a nós paramos de receber as doações. Logo após retornamos o
recebimento, porém mantendo um critério de avaliação de cada peça recebida. As
pessoas precisam entender que aqui não um local para descarte, ou seja, aquela
roupa que já não tem mais condição de uso, eu vou levar para doar, não é assim,
nós conferimos peça por peça para avaliar as condições de uso, se realmente atenderá a necessidade daquele que
nos procura diariamente precisando de ajuda.
CONECTADOSBR: Quais outras campanhas, parcerias e dificuldades que você vive aqui no Fundo Social.
Anita Saraiva: Nós trabalhamos com diversas campanhas para arrecadação, tivemos inclusive uma grande apreensão de peixes em Cananéia, foram 2,5 toneladas que recebemos para serem distribuídas, uma ação bem legal que atendeu muitas famílias. Nós também fazemos ações como as oficinas entre outros atendimento. E relação as dificuldade, o maior desafio é fazer a população entender como funciona o Fundo Social, o propósito de tudo aqui.
As cestas básicas que por muito tempo foi ofertada quase sempre
para as mesmas famílias, sendo que a orientação do estado é de que uma mesma família
teria o direito a no máximo três cestas por ano. Eu sei que esse é um número
muito pequeno diante das necessidades, por isso estudamos cada caso de forma individual,
pois existem situações onde o atendimento precisa ser feito por mais tempo. Esse
é um grande desafio, fazer que seja compreendida a atuação do Fundo Social no
sentido de que outas pessoas consigam serem atendidas.
CONECTADOSBR: Como é feito
o acompanhamento destas famílias?
Anita Saraiva: Eu
inclusive quando fui chamada pelos vereadores para explicar como tem funcionado
o Fundo Social, eu informei aos vereadores sobre a Campanha que aconteceu no
Ilha Verão, fazendo uma prestação de contas de tudo, disse que eu tenho
liberdade para ofertar as cestas para aqueles que aqui chegarem com suas
demandas, porém eu costumo usar um critério um pouco mais rigoroso para que
seja feito esse atendimento. Geralmente são pessoas que já passaram pela
Assistência Social, pelo Cras, pela Saúde ou outros órgãos da prefeitura que tenha realizado um primeiro atendimento.
CONECTADOSBR: Anita, nós
recebemos algumas mensagens dando conta de que roupas que foram doadas aqui,
acabam sendo vendidas, isso realmente acontece?
Anita Saraiva: Nós tivemos
sim um bazar, que inclusive é um prática comum em várias cidades, e aqui nós
realizamos sim no ano passado, sendo na época uma alternativa que nos atendeu
de forma rápida para suprir a necessidade que tínhamos para aquisição de alimentos
e medicamentos. Então o bazar que volto a dizer, acontece em muitos municípios,
serve para viabilizar o atendimento diante de outras demandas, que nem sempre é
apenas de uma peça de roupa.
Falando ainda das grandes dificuldades,
as informações inverídicas que se espalham no meio da população, acabam atrapalhando muito o nosso trabalho, confundindo as pessoas.
CONECTADOSBR: Qual o
endereço ou telefone e redes sociais do Fundo Social de Ilha Comprida?
Anita Saraiva: Qualquer
pessoa que quiser conhecer melhor o Fundo Social, nossos trabalhos, as
oficinas, pode se dirigir até aqui e será muito bem recebida. Nosso endereço é:
Marginal Candapui Sul, sem número, o prédio azul Espaço Gente na rotatória com a
Avenida Copacabana, telefone: 3842-2007 e Rede Social: @fundosocial.ic.
Eu gostaria de falar ainda que muitas
pessoas questionaram, até mesmo alguns vereadores, achando que foi um número
muito baixo de arrecadação do Ilha Verão, mas vale destacar que saímos do custo
zero, para termos condições de atender mais de 600 famílias com o que
foi arrecadado. Foram quase 11 toneladas de alimentos arrecadados, com os quais
conseguimos montar mais de 600 cestas básicas, fora os vouchers que temos de
créditos nos mercados que deve chegar ao número ainda de 250 cestas básicas.
CONECTADOSBR: Anita, deixe
um recado para toda população.
Anita Saraiva: Eu não
entendia o quão importante é cada ação do Fundo Social, jamais imaginava que
vai muito além da entrega de uma peça de roupa ou uma cesta básica, ele apesar ser
muitas vezes usado como um caminho de política, ele é na verdade um caminho de
aquecer vidas, todos precisam passar um dia por aqui para doar, não apenas uma
peça de roupa, mas também um abraço, doar seus ouvidos para ouvir as histórias
de cada um, doar seu tempo para cada pessoa que está em vulnerabilidade naquele
momento e isso vai ajudar a transformar não apenas o atendido mas também aquele
que doa. Assim como a própria Prefeita Maristela disse: “doar um pouquinho mais
do seu tempo em olhar e ver o que pode ser feito para beneficiar alguém, porque aqui
são as vidas, são as pessoas e é a cidade”.
Imagens: Divulgação
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