PERIGO DENTRO DA PISCINA: Tragédias motivam leis que proíbe motores de sucção e espalha normas de segurança
Acidentes em piscinas causados pela sucção de ralos têm ganhado mais visibilidade nas últimas temporadas, especialmente após a morte da menina Manuela Cotrin Carósio, 9 anos, em um resort de Campinas (SP), em 2024 e no caso mais recente, acontecido no dia 17/4/2026, a vítima foi uma menina de 12 anos, Laura Pereira Camargo, moradora da cidade de Mirassol (SP). No primeiro caso, o cabelo de Manuela ficou preso em um dispositivo de sucção irregular, a menina passou cerca de sete minutos submersa e morreu 11 dias depois, reacendendo o debate sobre a segurança de equipamentos de filtragem em piscinas coletivas.
Já Laurinha, como era chamada carinhosamente pelos familiares e amigos, a menina ficou submersa por quase dez minutos após ter o cabelo sugado em uma piscina na casa de amigos. O socorro foi acionado, ela chegou a ser encaminhada para o Hospital Da Criança e Maternidade, em São José do Rio Preto (SP), mas veio a óbito dois dias depois. Toda a região ficou muito abalada com o caso e o velório reuniu cerca de três mil pessoas para se despedirem da menina e deixarem uma palavra de conforto para familiares e amigos.
Como acidentes por sucção acontecem
Sistemas de drenagem de piscinas utilizam motores de sucção para puxar a água pelos ralos e tubulações, num processo essencial para filtragem e recirculação da água. Quando o ralo está mal dimensionado, sem proteção adequada ou com motor ligado durante o uso, a força de sucção pode prender calçados, roupas e principalmente, fios longos de cabelo, provocando sufocação, arrancamento do couro cabeludo (scalping) ou afogamento. Especialistas alertam que, mesmo em adultos, é praticamente impossível soltar o corpo quando o mecanismo está em pleno funcionamento, o que exige desligar o motor imediatamente para liberar a vítima.
O que diz a Lei Manuela
A Lei Manuela surgiu a partir da mobilização da família de Manuela Cotrin Carósio e de projetos apresentados por vereadores. Em Campinas, a Lei nº 16.866/2026 foi sancionada em janeiro de 2026 e proíbe o funcionamento dos motores de sucção em piscinas coletivas enquanto elas estiverem abertas ao uso, com foco em resorts, clubes, hotéis, condomínios e outros espaços de lazer. A legislação também obriga a instalação de dispositivos de segurança nos equipamentos, como ralos adequados, tampas de proteção e sistemas que reduzem a força de sucção, além de estabelecer prazos para adaptação das estruturas existentes.
Municípios que já aderiram ou tramitam a lei
A iniciativa de Campinas serviu de modelo para outras cidades que passaram a discutir ou aprovar textos semelhantes. Em Sumaré (SP), vereadores aprovaram projeto baseado na mesma lógica, exigindo grades de proteção e normas técnicas para bombas de sucção em piscinas coletivas. Em Votuporanga (SP), a Câmara aprovou por unanimidade o Projeto de Lei nº 33/2026, chamado de “Lei Manuela”, que estabelece novas regras de segurança, prazos para adequação dos equipamentos e autoriza o Executivo a regulamentar critérios de fiscalização.
Na região de Campinas, relatos indicam que a norma já está em vigor ou em tramitação em ao menos 17 municípios, incluindo Paulínia, Nova Odessa e Hortolândia, em que projetos já foram apresentados ou discutidos nas câmaras. Em Jaguariúna e outras cidades, ataques publicitários e reportagens locais destacam que a tragédia em Campinas fez com que a segurança de piscinas coletivas se tornasse pauta de política pública, com iniciativas de lei inspiradas diretamente na memória de Manuela.
Recomendações para usuários e gestores de piscinas
Tanto Bombeiros quanto especialistas reforçam que, quando possível, o ideal é manter o motor de sucção desligado durante o uso da piscina, especialmente em locais frequentados por crianças. Em estruturas onde o sistema precisa permanecer ligado, é fundamental usar ralos antissorventes, tampas de proteção, estacas de segurança e capacitação de salva‑vidas para desligar rapidamente a bomba em caso de emergência. Para usuários, a recomendação é prender cabelos longos, evitar ficar perto de ralos ligados e fiscalizar se o estabelecimento cumpre normas técnicas e portaria específica da engenharia sanitária.
Essa combinação de norma legal, pressão social e orientação técnica busca transformar emrotina o que antes era tratado como mera “fatalidade”, reduzindo o risco de novas tragédias causadas pela sucção de cabelos em piscinas.
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